Em Família

Os pais, doadores da vida em qualquer nível social, são, sem dúvida, os pilares da construção do novo ser – a criança. É a partir deles e com eles que os componentes materno e paterno se mesclam na criança para que possam crescer todas as bases que determinarão o novo humano que desponta. É nos braços desses representantes da sociedade, na qual é inserida ao nascer, que a criança repousa sua total dependência, desde os primeiros momentos de vida, por todos os anos que se seguem, necessitando, inicialmente, de um ser materno para ser nutrida, agasalhada, cuidada e amada, tendo, na base, o amor e a dedicação de toda a família.


Aos pais, cabe uma imensa e vitalícia responsabilidade pela existência desse novo ser, que vem à vida não para submeter-se aos caprichos dessa família ou de uma sociedade, mas para somar-se a esse universo como coadjuvante nesse contexto biológico e expressar seus talentos únicos, que serão descobertos na medida e de acordo com o acolhimento recebido ao nascer e da harmonia reinante nesse círculo.


A família é a origem e o berço do desenvolvimento do potencial físico e psíquico de cada ser, dos atributos genéticos e psicológicos que lhe conferem os pais, contribuindo para o crescimento da confiança e da autoestima, que conduz o crescimento, a criatividade e a profunda vontade de viver e de aprender. Se na concepção houver amor como ponto de partida e se, a partir do nascimento, a criança for gentilmente suprida nas suas necessidades essenciais, ela irá acreditar que o mundo é um lugar agradável e positivo no qual pode confiar.

É importante ressaltar que são os primeiros anos de vida que determinam as bases da construção de uma mente saudável. Os desvios são, em geral, decorrentes de controvérsias nas interrelações cotidianas no ambiente onde a criança se desenvolve.


A verdadeira expectativa dos pais e da família deveria ser o pleno desabrochar das potencialidades inatas. Para isso, é necessário conhecer melhor o processo de desenvolvimento de uma criança dentro de uma visão científica.


Maria Montessori cria uma metodologia que permite à família acompanhar este processo, quer em casa, quer na escola. O seu princípio fundamental é “seguir a criança”, isto é, permitir a premissa: “Ajuda-me a agir por mim mesma”, no período de zero a seis anos. Este é um ponto muito importante, pois não significa deixar de dar limites, permitindo que ela, desde que nasce, faça o que quiser. O limite justo é sempre bem-vindo e ajudará na compreensão do que pode ou não ser feito. Isso gera sempre segurança e possibilita independência desde os primeiros passos.


Tudo isto constitui um tênue fio condutor que, em geral, os atuais conceitos de “liberdade” criam para o adulto: pais, avós, escolas, a dificuldade de compreender e aplicar.


A criança revê com o adulto a sua história pessoal e, se bem compreendido o seu papel naquela família, naquela sociedade, ela não será um dependente, mas um companheiro numa vida em que todos crescem e todos precisam de todos, em que reina o respeito e a compreensão.

Não existe, para a criança, um bem maior que sua família.


Na Pedagogia Montessori, a criança, o jovem, desenvolve-se dentro de “Quatro Planos de Desenvolveimento” assim apresentados:


1º Plano: 0 a 6 anos: “Ajuda-me a agir por mim.”


Período de aquisição: autonomia, responsabilidade.


- O despertar da vida – 0 a 3 anos.


- A vida como escola – 3 a 6 anos.

1º Período de aquisição; conhecimento que desenvolve a autonomia e a responsabilidade como resultado desta independência


2º Plano: 6 a 12 anos: “Ajuda-me a pensar por mim.”


- A escola como conhecimento – 6 a 9 anos.


- O conhecimento e a auto-aprendizagem como prática da vida – 9 a 12 anos.

Período de aplicação: imaginação, criatividade,cultura, conhecimento num processo do concreto ao abstrato.


3º Plano: 12 a 18 anos: “Ajuda-me a pensar contigo.”


- O “renascimento” psicofísico em busca de compreender o porquê do saber – 12 a 15 anos.

Período de aplicação dos conhecimentos a nível mais abstrato, mas experienciando o real para dar sentido ao saber.


- O saber torna-se um veículo para as conquistas profissionais.

2º Período de aquisição e aplicação: grupo, sociedade, foco no social, construção prática do período abstrato com vistas ao trabalho.


4º Plano: 18 a 24 anos: “Ajuda-me a pensar em ti.”


Período de aplicação profissional: ética, valores, solidariedade, missão cósmica, visão ecológica para si e para o todo, uso do conhecimento como construção pessoal e de seu núcleo familiar.


- O explorador humanístico – 18 a 21 anos.

Período de aquisição num formato formal, operacional, com mudanças físicas já para o adulto, busca de identidade e valorização determinantes para sua estabilidade emocional, necessitando de muita Valorização.


- Sentido de maturidade e definição professional -21 a 24 anos.

Período no qual o conhecimento serve de base às conquistas profissionais e pessoais, como um acervo que dá fundamento ao progresso futuro.


Aos pais cabe acompanhar seus filhos segundo as etapas de desenvolvimento, procurando ajudar a cada plano, sabendo das mudanças, às vezes radicais, influenciadas, talvez, pelos modismos da sociedade.


É encantador observar um bebê ao nascer. Mas tem-se que olhar e, como num filme que se desenrola, vê-lo passar por estes planos, augurando que não se perca nestes caminhos, por formas diversas, que, muitas vezes, nem depende da escolha dele, como criança ou como jovem. Um dia, os pais se tornarão avós, mas o seu filho, aquele bebê, será, eternamente, seu filho.

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ABEM

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