O Trabalho do Adulto

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Enquanto a criança aperfeiçoa o ser, o adulto aperfeiçoa o ambiente. De fato, o trabalho próprio do adulto é a construção de um ambiente extranatural, uma super-natureza, que deverá responder aos desejos e às necessidades da espécie humana. A natureza não responde aos desejos e necessidades do homem, como responde às dos animais. O homem dependerá do homem para sua sobrevivência. 
Maria Montessori, explica assim a super-natureza do homem:

"Podemos comparar a historia da civilização a uma dessas evoluções lentas, que conduziram a uma espécie nova dos anfíbios, da vida marinha à vida terrestre. O homem anfíbio, vivendo da natureza, criou pouco a pouco a super-natureza, participando de dois tipos de vida, mas com a tendência de realizar finalmente, só uma das duas. O homem, todavia, não se transferiu simplesmente de um ambiente a outro, ele construiu seu próprio ambiente, e aí viveu de maneira tão exclusiva que não poderia, daí para frente, desistir de sua maravilhosa criação. A natureza não socorre o ser humano como faz com os outros seres vivos. Nela, o homem não encontra, como os pássaros, os alimentos prontos e os meios para construir seu ninho. O homem deve encontrar no homem aquilo que ele precisa. 

Por essa razão, cada indivíduo, encontra-se ligado ao outro e cada um constrói com seu próprio trabalho, o complexo no qual vive a humanidade: o ambiente super-natural. Por conseguinte, o trabalho do adulto é um trabalho exterior, feito de atividades e esforços inteligentes, que constituem o que chamamos de “trabalho produtivo”, o qual pela sua natureza é social, coletivo e organizado.
Para atingir seus objetivos, o adulto organiza e ordena o trabalho segundo as normas que formam as leis sociais. Estas implicam numa disciplina coletiva a qual os homens se submetem voluntariamente, reconhecendo tudo como indispensável à ordem efetiva da vida social. No interior do próprio trabalho existem duas leis comuns a todos os homens e a todos os tempos, a primeira é a divisão do trabalho, a segunda é a lei do menor esforço, segundo a qual o homem procura obter a produção máxima com um consumo de energia mínimo."

CONFRONTO ENTRE TRABALHO DA CRIANÇA E DO ADULTO

O trabalho do adulto é de natureza bastante diferente do trabalho da criança. Na realidade, são diferentes no sentido em que os objetivos perseguidos pela criança e pelo adulto são diversos. De fato o primeiro, enquanto “embrião psíquico de um ser social”, tem por objetivo a construção de si mesmo, o segundo enquanto “ser social”, tem por objetivo a construção de sua sociedade, permitindo-se realizar-se enquanto indivíduo. O homem é um ser gregário que, para existir como ser humano, terá necessidade de absorver os valores humanos do grupo a que pertence e, ao mesmo tempo colaborar como indivíduo com a existência desse grupo ou sociedade. O adulto é responsável pela comunidade e pelos indivíduos que a compõem (adultos e crianças).


O trabalho da criança, por sua vez é um trabalho interno, onde as manifestações, só acidentalmente serão externas, seguindo outra lógica que não a do trabalho do adulto. Este é um trabalho voltado para o exterior, onde as manifestações e a execução terão influência sobre o interior da pessoa. Correspondendo de maneira diferente às mesmas necessidades internas, podemos dizer que essas duas espécies de trabalho não são de natureza diferente ou catastrófica, mas cada qual segue seus respectivos passos, de sentido inverso ao outro. 
A diferença entre esses dois tipos de atividade, vai manter a incompreensão que gera um conflito e que Maria Montessori descreve nestes termos:

O adulto e a criança, feitos para se amarem e viverem juntos, harmonicamente, encontram-se em luta contínua, gerada por uma incompreensão que ocorre às raízes da vida e que se desenvolve num emaranhado de ações e reações.
O adulto não sabe que a criança tem dentro de si exigências de trabalho e atividade, nem pensa também na necessidade de criar-lhe um ambiente adequado. Ele mal conhece a criança e não reconhece a independência de sua natureza. Por outro lado, a missão de criar a super-natureza, suas obrigações e atividades (vitais para ele e para com a criança que depende materialmente dele), não lhe deixam tempo de se adaptar ao ritmo e às necessidades da própria criança.

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