O Professor

Os objetos e as atividades em si são comuns. Pode-se fazer construir com areia, folhear um livro de figuras sobre as quais a professora chama a atenção, desmontar objetos separando várias formas (contas de tamanhos variados, contas de várias cores, cubos e tijolinhos, grãos diversos), enfiar bolas ou anéis em uma haste, fazer construções com blocos, fazer girar as rodas de um brinquedo mecânico, atrair e fixar a atenção com um teatro de marionetes. Tudo pode ser feito com métodos comuns, desde que haja uma espécie de “preparação”, seguida de uma “educação formativa”.

E a professora não pode esquecer-se de que antes de tudo, ela é o exemplo, o modelo, “espelho” para a criança.

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Dentre nossos exercícios, os que se mostraram mais eficazes para preparar a concentração são: os Exercícios de Vida Prática (como, recolocar no lugar os objetos usados, cuidar das plantas, cuidar da aparência pessoal e da limpeza do ambiente, etc), os exercícios na linha, feitos mesmo sem música, só com o objetivo de coordenar os movimentos (por exemplo: caminhar e deter-se obedecendo a um sinal, saltar obstáculos, “vagabundear com pés que vão sem objetivo”).

Colocar os pés sobre a linha, avançando nos passos, chama à ordem todos os movimentos do corpo. Pode-se também ter nas mãos uma bandeirinha erguida, controlando o braço para que não se abaixe – este exercício divide a atenção entre os pés e as mãos ou o braço.

Assim, pouco a pouco, a criança se conquista através de exercícios já bem conhecidos. Utilizando bem nossos exercícios preparatórios, como os primeiros exercícios de vida prática e os exercícios de linha, os movimentos passam a ser atraídos a um objetivo e começam a ser coordenados.

A este ponto, é fácil chegar a um ato de concentração com material; e assim começa o ingresso no nosso Método, que conduz ao desenvolvimento, à expansão da potencialidade formativa.

Quando começa a concentração, a criança geralmente muda subitamente o caráter, perdendo os seus “defeitos” e apresentando-se como uma nova criança.
É o momento a que chamamos Normalização.
Sem que tenha primeiro esta ordem entre as faculdades psíquicas e aquelas motoras, concentrando-as em exercícios totais que apresentam à criança um objetivo interessante, o método, mesmo bem aplicado, terá um escasso sucesso.

Dodecálogo do Orientador Montessoriano