A Construção Física e Psíquica do Indivíduo

A CONSTRUÇÃO DO INDIVÍDUO
Agora, estudaremos a natureza desse desenvolvimento, ou seja, a construção psíquica do indivíduo e sua relação com a construção física que lhe é anterior. Tentaremos compreender qual é a extensão das forças físicas exigidas da criança, para sua representação como homem, para a sociedade e para a humanidade, como também tentaremos ver a necessidade absoluta de uma nova relação do adulto com a criança e de uma educação diferenciada, adaptada à natureza. 

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CONSTRUÇÃO FÍSICA
Podemos afirmar, que a vida de fato, não se desenvolve, mas se cria. No ponto físico, o ponto de partida da vida é uma célula, sem nenhuma complexidade, inexiste ali um corpo humano em miniatura. Não há nada nessa célula, a não ser as potencialidades necessárias, para produzir um ser vivente. Multiplicando-se ao infinito, num mesmo todo, numa mesma harmonia, ele vai produzir um organismo (conjunto de órgãos, através dos quais vão se exprimir e se realizar as diversas funções vitais que permitem a vida biológica), pronto para entrar em funcionamento. Esse organismo traz consigo todas as características da espécie. A vida não pode existir sem as funções vitais, sem o trabalho dos órgãos. A vida biológica faz funcionar o organismo vivo. Ela é a própria matéria da energia viva.

CONSTRUÇÃO PSÍQUICA
Por analogia, focaremos na construção psíquica do homem como no processo de criação. Podemos investigar o ser infantil em suas mínimas partículas, sem encontrarmos o homem, se por homem entendemos o ser dotado de inteligência e capacidades espirituais. Assim como na vida biológica, essas potencialidades estão no interior de uma célula. A criança é um ser simples por excelência, irá construir o conjunto de órgãos necessários à vida, ainda sem ser nada (e ninguém), a vida psíquica vai construir pouco a pouco esse complexo de órgãos psíquicos que compõem a personalidade humana.

Maria Montessori, descrevia a criança, do ponto de vista psíquico, como um “embrião espiritual” – e embrião é uma vida em vias de construir-se.

Pelo termo “embrião espiritual”, Maria Montessori, entende uma vida em que se cria e constrói a partir do nada. Não é uma vida que se desenvolve, que amplia o raio de ação que já existe. Da mesma maneira, que do ponto de vista físico só se pode falar em criança durante o período embrionário, do ponto de vista psíquico só se pode falar de criança enquanto “entidade psíquica”. Quando tivermos diante de nós uma personalidade construída. Podemos afirmar que o homem é o único ser a possuir duas vidas embrionárias e que constroem dois organismos: um organismo físico e um organismo psíquico.

Para realizar uma vida espiritual, além do organismo físico, precisamos construir um outro organismo, isto é, um conjunto de órgãos psíquicos, que nos fazem pensar, querer, falar, agir, sentir… e que chamamos comumente “faculdades humanas”. Maria Montessori, identifica-os como “meios elementares fundamentais para realizar a vida do espírito”. No começo da vida, a criança não possui nenhuma dessas faculdades, tem somente o poder de criá-las. A criança deverá construir sua psique, ou seja, aquela engrenagem necessária para que o homem possa exercer uma livre vontade, utilizar a luz da razão e viver plenamente sua vida espiritual. Isto, através das funções vitais do espírito, tais como: inteligência, vontade, emoção, fantasia, imaginação, linguagem, sem as quais não lhe será possível viver uma vida espiritual. 
Da mesma maneira, que a vida biológica faz funcionar nosso organismo físico, a vida do espírito faz funcionar nosso organismo psíquico.

O Trabalho da Criança