A Criança

A mente permaneceu desnutrida e faltou a atividade muscular. As duas coisas – nutrição mental e atividade motora – são essenciais para obter um desenvolvimento psíquico normal. A normalidade tende a fazer unir funcionalmente as duas coisas: o movimento e a psiché. A mente deve desenvolver-se com a ajuda dos movimentos que correspondem, então, à experiência sobre o ambiente “formativo da personalidade”. No entanto, a mente que age por si mesma em um ambiente restrito (por exemplo: a creche¹), e os músculos que agem só por impulsos, independentemente de uma construção mental, dão como resultado uma personalidade fragmentada em duas partes, que de maneira nenhuma pode-se dirigir.

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¹ - Considera-se as creches em que não se faz um trabalho construtivo com as crianças, onde não há estímulos nem filtros educacionais a serem atingidos; aquelas que se constituem em meros depositários de crianças.

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A ação educativa ”preparatória” deve começar da educação dos movimentos. Os movimentos desordenados devem, antes de tudo, ser convergidos para uma ordem, a fim de que, depois, a mente da criança possa dirigi-los. Uma mente desnutrida não tem a força, o poder de comandar os impulsos já estabelecidos por movimentos sem objetivo. É inútil, neste caso, dirigir-se à mente da criança com exortações e punições.

Também o material que é oferecido nestas condições não atrai a mente débil e confusa. É a gradativa relação com o meio, através de atividades devidamente planejadas e controladas, que provoca na criança um crescente ordenar-se, um desenvolver-se.

Não é o uso do material ou atividades que importa, mas a maneira de movimentar-se. Se o movimento é independente da mente e é impulsivo, não permite a realização de exercícios totais (mente e movimento) derivados de um estímulo externo (o material).

Uma classe com número excessivo de objetos ou um jardim onde se encontram muitas “chamadas” (piscinas, construções, aparelhos para ginástica, etc) em vez de ajudar o desenvolvimento, dispersa as forças, a atenção. Um acúmulo de elementos acaba por levar a criança à desordem.

Os chamados “Princípios do Método”, como: liberdade de ação, livre escolha de material, não interferência da professora não são aplicados com sucesso prático, sem que haja a preparação acima apresentada.

Durante a “preparação”, tem-se só um objetivo: chegar a um ato de concentração.

Uma professora pode agir segundo sua maneira peculiar de ser e com meios comuns, porém, em verdade, ela não pode deixar de intervir e mesmo comandar.
Exemplo: chamar as crianças e pedir-lhes que se coloquem em fila, quando necessário; que andem a um certo ponto da sala, transportando copos de água sem deixá-la entornar; que transportem cadeiras e objetos sob comando, etc.

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